24 de junho de 2011

“Só o humor é revolucionário”. Clarinha, na noite de S. João


O texto que se segue é da autoria de Miguel Esteves Cardoso.

Se porventura quiser conferir a versão sem asteriscos e aumentada, dita pelo Carlos Guilherme, clique no vídeo.
Mas atenção, eu faço o aviso que passa às vezes na televisão: “O programa que se segue pode conter linguagem ou cenas susceptíveis de ferir a sensibilidade dos espectadores”.
Portanto, a responsabilidade é toda vossa.



OS PALAVRÕES

"Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, ******o! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com carácter!
O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar.

Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante. 
Dizer "Tenho uma verruga no ******o" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900' 2000 não lembra ao "******o", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. 
Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação. 
Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande ****... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui. 

Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas ****s", significa que o parceiro pode não jogar um ******o de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias. 

Pessoalmente, gosto da expressão "É *****o..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "****-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "****-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espírito como um tranquilo "****-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. 
Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos.

Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o ******o...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. 

Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a **** da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades. 

Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente inequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar um pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. 

Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. 

Eu faço o que posso."

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23 de junho de 2011

Entrevistas da Treta - Bate-bola com Eduardo Guimarães

Finalmente, o dr. Eduardo G, líder da CA do FCV, põe os pontos nos is e, se não parte a loiça toda, fala, pela primeira vez, do fundo do coração. Farto, segundo diz, de usar o tom politicamente correcto para responder a perguntas formatadas em entrevistas parvas, cansado de lhe colarem a imagem de bom rapaz que não quebra um prato, revela por fim algum desembaraço e até diz caca.

Confira a seguir o essencial da entrevista, um exclusivo “Letras&Tretas”.

- Eduardo Guimarães, olhando à rivalidade, não acha irónico ser um Guimarães a dirigir o Vizela?
- Já no meu tempo de jogador houve um Pimenta que não provocava espirros e um Santos que também não fazia milagres… além doutros que por quem ninguém dava nada e que até chegaram a presidentes de junta. 


- Presidente da AG dos bombeiros, presidente da AG da Fundação, além de mais uns quantos cargos associativos… A presidência do FCV é a sua coroa de glória?
- Isso pensava eu. Agora acho que é a minha coroa de espinhos. Sangram-me por todos os lados. E parece que ainda não acabou… 

- Ainda se sente confortável no cadeirão da presidência?

- Às vezes incomodam-me certas companhias… mas como ainda não apareceu ninguém para me substituir é sinal de que os sócios confiam em mim. A tarefa tem-se revelado árdua… mas não vou esmorecer. 

- A situação do clube é tão negra como a pintam ou é pior?

- Depende da perspectiva. Acho que é grave mas não desesperada. E pegando na linguagem médica, se mantivermos o “doente” em coma induzido mais algum tempo, pode ser que se safe. 


- Que razão dá hoje ao ex-presidente que, na apresentação da sua candidatura, o acusou de falta de um projecto de gestão para o clube?
- Se bem se lembra eu convenci-o, logo de seguida, ao apresentar a teoria dos 3 pilares.
Para uma perfeita elucidação e 
para contextualizar o assunto, vou socorrer-me da notícia da RV, relativa à AG da tomada de posse :


Assegurei que assentaria a minha acção em “três pilares: o apoio financeiro da CMV; a reunião de um grupo de beneméritos para ajudar mensalmente o clube e o emagrecimento da estrutura do clube”. 

A câmara atrasou o mais que pôde a decisão sobre o subsídio e quando, finalmente, o aprovou, ofereceu-me números ridiculamente baixos. E lá tive eu que me desfazer em vénias e agradecimentos quando o que me apetecia era mandar o Pacheco transmitir-lhes, na sua linguagem sem papas na língua, o que pensava deles e do subsídio de caca que me deram. 

Na reunião do grupo de beneméritos que decorreu no mês passado, conseguimos reunir muitos mais do que contávamos, até apareceu gente que não foi convidada, só que todos se esqueceram da carteira em casa. No final, feitas as contas, tirando o bonito comunicado que o Borges já levava redigido de casa e lhe demorou 3 dias a preparar que, por sinal, até foi publicado na CS, ainda não vi frutos nenhuns. 

Agora na parte que me toca, e que me comprometi a realizar, que era a de emagrecer a estrutura, essa tenho-a cumprido religiosamente. Senão vejamos, devido aos atrasos nos ordenados todos os funcionários já perderam entre 4 a 7 quilos de peso, em resultado da ansiedade e das provações que têm experimentado. Mas não quero ficar por aqui: há elementos que podem perder 10 kg. à vontade e é essa meta que me proponho atingir a curto prazo.

- Então está satisfeito? Missão cumprida. E mais?
- Já pus a secção de atletismo a correr do clube e nisso vou poupar algum. 
Nas outras iniciativas é que não tenho tido o êxito que previa.
Com a linha de apoio quem lucrou foi a PT; até insistiram para a manter activa mais uns meses. No sorteio solidário, vendemos apenas metade das rifas, mas com as que ficaram em stock planeamos fazer uma segunda edição do sorteio, talvez em Agosto quando chegarem os imigrantes.  E por último, até o sargento, a quem fui pedir pessoalmente, não autorizou o funcionamento do quino no intervalo dos jogos do torneio que estamos a organizar...

- Embora os seniores, meu deus, andem pelas ruas da amargura, o site do clube anuncia que o FCV está no “top20” da formação. Não há aqui um paradoxo estrutural? 

- Desculpe, mas não li nada disso no DDV…
 

- No site oficial do FC Vizela.

- Ah, o clube tem site oficial?! Eu sempre pensei que fosse o DDV. Aliás, é para lá que eu mando as novidades… 
-
- Voltando à questão, se o protocolo com o SCB é para manter, a apregoada aposta na prata da casa não passa de uma treta?

- Bem pelo contrário. A nossa aposta na formação ou, no que você chama com propriedade, prata da casa tem sido uma constante nos últimos meses. 

- Pode explicar melhor?

- Então?!… É com as receitas que o departamento juvenil tem conseguido que vamos pagando algumas contas do clube: electricidade, gasóleo, água, telefones…até o papel higiénico são eles que pagam. Se isto não é uma aposta clara na prata da casa, não sei mais que lhe diga. 

- Voltando aos seniores e projectando a próxima época, quantos juniores vão vir do Braga?

- Ainda não sei. Estou à espera de me reunir com o Agostinho Oliveira para saber o que ele decidiu.

- O Rui Dias, que tantos ataques de nervos provocou, e que quase conseguiu a unanimidade de rejeição entre os sócios, vai continuar?
- Depende do Agostinho Oliveira e do presidente do Braga.

- E para quando é que está marcada a AG para dar posse ao Agostinho Cabeleira, perdão, Oliveira?
- Não percebo a sua pergunta


- Não era pergunta. Era um desabafo. Mudando de tema. Os outros directores acompanham-no na pedalada ou são mais para as fotografias? 
- A equipa é óptima. De um entusiasmo inexcedível. Especialmente os meus dois colaboradores directos. Só assim é que temos mantido a chama e a esperança de que tudo se resolva. 

- Há quem os acuse de pouca discussão interna e de falta de dinâmica…
- Nós estamos tão sintonizados que não precisamos de reunir ou de falar sequer. Mais a mais, porque todos nós temos o nosso emprego que nos ocupa a maior parte do dia. Não estamos para perder o resto do tempo a debater problemas, que de acordo com a nossa filosofia, não têm solução, logo, estão resolvidos por natureza. 

- Acha que falava a sério a pessoa que afirmou, e passo a citar: “ o dr. Eduardo Guimarães é o melhor presidente do FCV dos últimos anos”? 
- Ah, tem que se dar um desconto, pois esse elogio saiu da boca de um grande amigo meu. Mas, sem falsa modéstia, cada vez mais estou convencido de que sou um presidente à altura do clube. Que outro presidente conseguiu até agora, com os meios que eu tenho à mão, aguentar o barco, apenas com promessas, subterfúgios e adiamentos. Até o PP pagava, de vez em quando, aos fornecedores… 

- Para finalizar, quer que lhe dê a oportunidade de, como é costume, fazer o apelo da praxe, ou acha que não vale a pena já que ninguém o ouve? 
- Vale sempre a pena. Até porque estou a precisar de recrutar pessoal para executar certas tarefas no clube. E dirijo-me sobretudo aos reformados e desempregados. No primeiro ano não lhes poderemos pagar nada, devido às dificuldades. Mas logo que a coisa melhore, penso que no ano seguinte, prometo aumentá-los para o dobro ou até para o triplo. 
Portanto, já sabem, apareçam. O que é preciso é não deixar morrer o clube.


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Actrizes à quarta-feira à noite (bem tarde) 6


Para preparar o seu papel no filme “ Bad Teacher”, tolamente traduzido para português como “Professora Baldas”, Cameron Diaz acompanhou durante 3 semanas as aulas de uma professora, numa escola do concelho. Ei-la no fim do último dia de trabalho a arrumar o saco e a preparar-se para regressar ao país do tio Sam.

O aspecto desleixado e o ar exausto que apresenta, bem diferente da imagem de marca a que habituou os fãs, fica a dever-se a várias causas. Primeiro, ao facto de ter madrugado como nunca o tinha feito na vida para estar nas aulas às 8:30 h. da manhã. Segundo, ser obrigada a percorrer diariamente 100 km. de automóvel, visto ter ficado alojada num hotel do Porto. E, last but not least, ter que aturar as brincadeiras e diabruras da meia centena de crianças que compunham a turma. Nada que uma professora neste nosso país não esteja habituada, mas para uma estrela de Hollywood…

Logo, compreende-se o seu comentário de despedida: “Thank god I’m an actress! Fuck!...”

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21 de junho de 2011

Vitor T quer declarar a independência de Vizela

O BE local vendo que todas as suas anteriores propostas têm caído em saco roto, e que, tirando um ou outro comentário no site da RV, ninguém os leva a sério, decidiu avançar, com uma verdadeira jogada de tudo ou nada. Há quem diga que comparar a proposta à bomba atómica pecaria por defeito.

Afirmando, em comunicado, que “é uma vergonha a capitulação do país aos interesses estrangeiros; proclamando que “Vizela já deu mostras que nada nem ninguém lhe consegue pôr a pata em cima - excepto os dirigentes do partido socialista”; considerando que “não nos deixaremos vergar às ordens da troica, caso contrário corremos o risco de vermos o nosso concelho anexado e incluído novamente no de Guimarães - o que seria uma afronta capaz de levantar do túmulo os verdadeiros vizelenses”; conclui, “é hora, camaradas, de avançar para a autonomia”.

Tomando como antecedentes históricos a comuna de Paris e a aldeia gaulesa do Asterix, Vitor T. já compôs o primeiro verso da marcha da revolta, que começa assim: “ De pé, ó vítimas da troica…”

E anuncia que a primeira medida será a destituição do executivo municipal e a sua substituição por um governo de unidade popular, de "verdadeiros representantes do povo". Presume-se que seja composto por membros do BE ou, caso não sejam suficientes, pelos vira-casacas que estão sempre prontos a mudar de partido. Posteriormente eleger-se-á um novo executivo através de plenários ou outras formas de democracia directa, estando excluídos à partida, todos os autarcas, actuais ou passados, já que esses “são todos alinhados”

Confrontado com a exequibilidade da iniciativa, o líder acabou por confessar que, nesta como noutras, não se revê nas propostas por si lançadas.

Tudo isso é fruto das insónias que o atormentam e que o levam a passar noites em branco a magicar no que há-de engendrar para mandar umas farpas aos socialistas da câmara e pôr os vizelenses a falar dele. Em suma, a armar confusão, como manda o manual do partido.

Não sei se para avançar, o idealista líder do BE estará a pensar fornecer à população vizelense a célebre poção mágica que transformava os gauleses em verdadeiras máquinas de guerra.

Sei, é que em consequência desta iniciativa, que antes de anunciada foi difundida e debatida nos cafés, Vitor T já recebeu uma encomenda contendo 10 caixas de Lexotan 6mg. Em anexo, trazia um bilhete anónimo que esclarecia: “Toma 4 por dia para ver se paras de dizer disparates”. .

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16 de junho de 2011

Declaração de intenções

Acusaram-me, num comentário, de “andar sempre a malhar” no presidente da câmara. Eu respondo que não é nada pessoal. Tenho até pelo senhor um certo respeito, ao contrário do que me merecem, por exemplo, outros membros do executivo municipal, oposição incluída. 

Mas, caramba, chefe é chefe! E não pode ser só para botar faladura e aparecer nos jornais. Também tem que dar o peito às balas…e comer o pão que a Clarinha amassa.

Agora, prometo que lhe vou dar tréguas (a não ser que…) e virar-me para outros alvos.

E há um tema que eu ando a descurar: o futebol e o nosso querido fcv. Seja porque o futebol propriamente dito foi a banhos, seja pelo ultra-low profile do actual presidente (ah as saudades que eu tenho do João Polery!!!), seja pela situação grave que o clube experimenta, confesso que não me tem apetecido bater no ceguinho.

Mas isto remedeia-se. Dentro de dias, caros leitores, vão deparar, no “Letras&Tretas”, com o Dr. Eduardo G. como nunca o viram, ouviram ou leram. 

Depois do directo no Especial Informação do passado sábado, aos microfones da RV, está na hora do presidente do clube responder às questões impertinentes da Clarinha. 

Só precisamos de acertar agendas e combinar o encontro. 

E se for a petiscar os hors d’oeuvres da dona Lininha, ainda melhor.
Isso queria eu! 


Agora quero ler o resto!